
No último quartel do século XIX, os partidos monárquicos estavam esgotados de sentido programático ou ideológico.
Começarama a surgir novas aspirações políticas: em 1875 fundou-se o Partido Socialista; em 1876 nasceu a primeira organização republicana.
O país quase não tinha indústria e não havia, portanto, massas operárias, pelo que o movimento socialista não teve grande repercussão. Pelo contrário, a simplicidade do programa republicano - acabar com a monarquia - obteve a adesão dos sectores pequeno-burgueses: diplomados universitários, professores, comerciantes e empregados no comércio, funcionários públicos, sargentos. A partir de 1880 começaram a ser eleitos deputados republicanos para o Parlamento.
Em 1890, o governo inglês dirigiu a Portugal um ultimato impondo a retirada das tropas portuguesas dos territórios do centro de África, entre Angola e Moçambique. O plano de um vasto império colonial, desde o Atlântico ao Índico (Mapa Cor-de-Rosa) terminou quando a Inglaterra enviou a Portugal um ultimato. O governo português foi obrigado a ceder, mas o facto originou uma grande indignação que os republicanos utilizaram habilmente. A monarquia era a culpada do fracasso do grande projecto colectivo. Era ela que impedia a nossa política colonial.
Em 31 de Janeiro de 1891, ocorreu no Porto uma revolta militar, dominada depois de um combate de rua. Mas a popularidade dos republicanos cresceu constantemente, sobretudo nas cidades.
Em 1906, o rei D. Carlos quis conter a onda de agitação crescente e dominar a turbulência da vida parlamentar. Entregou o governo a João Franco e dissolveu o Parlamento. O novo governante afastou-se muito da linha de tolerância até então usada com os republicanos: fechou jornais, impôes restrições à liberdade de imprensa, fez numerosas prisões e, em 1908, submeteu à assinatura do rei um decreto que punia as revoltas e os motins com o degredo em África.
Este último facto causou emoção nos meios republicanos. Em 1 de Fevereiro alguns dos elementos mais exaltados esperaram o rei quando este regressava a Lisboa, vindo de Vila Viçosa, e abateram-no a tiro. Morreu também o príncipe herdeiro do trono, D. Luís Filipe, e ficou ferido o infante D. Manuel.
Sucedeu a D. Carlos D. Manuel que tinha apenas dezoito anos. Os políticos, aterrados, consideraram que João Franco era o verdadeiro culpado do regicídio e obrigaram-no a sair do país. os partidos decidiram coligar-se para defender a monarquia que agora sentiam em perigo. Mas a coligação foi de pouca dura. Durante o seu reinado D. Manuel conheceu sete ministérios, e as lutas entre as facções monárquicas foram incandescentes.
O movimento republicano engrossou muito durante essa última fase da monarquia. Em clubes secretos, os conspiradores recebiam preparação militar e recolhiam ou fabricavam armamento para o assalto final.
Em 4 de Outubro de 1910, eclodiu finalmente a revolta republicana, que já toda a gente esperava. A maioria das forças comprometidas faltou à chamada, e a revolução chegou a parecer falhada. Mas o governo não conseguiu tropas para dominar as duas centenas de revolucionários que se obstinaram em resistir de armas na mão.
A adesão de alguns navios de guerra assegurou, em 5 de Outubro, a vitória republicana. O rei foi para o exílio e a república foi proclamada.
SARAIVA, J. Hermano - Breve História de Portugal ilustrada.Minerva Ed. Génève, 1979.